05 de Fevereiro de 2012
Desde pequenos, ao sabor das imposições da vida, vamos tomando decisões. Se vamos jogar uma pelada, um vôlei ou uma queimada no sábado pela manhã e temos de montar um time, tudo parte de um simples “par ou impar” e depois, vem a dificuldade maior: ir escolhendo cada pessoa que vai compor a equipe. Ir selecionando, aquele que é melhor para cada posição.
E, assim, o tempo passa e vamos levando cada dia de nossa vida, praticando uma pequena decisão aqui, outra pequena decisão ali, sem maiores consequências.
Vivemos na era das escolhas. Vivemos numa época em que, para comprar um simples litro de leite é preciso se perguntar: É integral ou desnatado? Líquido ou em pó? Com vitaminas ou sem? Para criança? De que idade? Para adulto? Gosto puro de leite ou... E daí por diante.
A indecisão, portanto, faz parte do dia a dia de cada um. Todos nos sentimos um pouco confusos na hora de deliberar. Algumas pessoas possuem dificuldades nas decisões mais simples, como escolher um prato num restaurante ou um programa social. O ato de tomada de decisão pode ser para muitas pessoas, um ato de sofrimento.
Conta uma história, que era uma vez três sapos que estavam numa lagoa felizes, cantando. De repente, a água da lagoa começou a ferver. Dois sapos continuaram cantando, mas, um deles, percebendo o perigo, resolveu sair. Quantos sapos você imagina que morreram escaldados? Dois? Não, os três. Sabe por quê? Porque o que resolveu sair, só resolveu. Não saiu. Resolveu, mas não agiu. Por isso, morreu.
As implicações de uma tomada de decisão são muitas e a maior parte dos resultados está normalmente fora de nossa vista. Por isso, é preciso ser cuidadoso, já que decidir é posicionar-se em relação ao futuro. O futuro do sapo que não soube se posicionar com firmeza não foi dos melhores. É certo que, tomada a decisão, não há como voltar atrás e as consequências virão, sejam elas positivas ou negativas. Novamente, a história do sapo não nos deixa mentir.
Por isso, a decisão exige um compromisso efetivo com a escolha feita e com as consequências da escolha. Isso nem sempre é fácil. Por quê? Porque não há decisão que seja perfeita, pois é impossível analisar todas as alternativas e todos os possíveis efeitos das mesmas. Ao optar por uma alternativa, somos obrigados a desistir das outras, o que traz sempre um sentimento de perda.
Isto sem contar que toda decisão é um ato solitário, individual e intransferível. Não se pode decidir pelos outros, nem culpar os outros pelas nossas decisões. Mas decidir é importante. É um exercício de poder.
É um compromisso que temos com nós mesmos, com nosso próprio desenvolvimento como ser humano, com a nossa própria liberdade.
Qualquer resolução, qualquer tomada de decisão, para ser efetiva, exige uma ação. E são as ações bem pensadas, bem medidas, bem pesadas que movem a engrenagem de nossa vida. Que nos fazem saber mudar diante do novo e crescer neste mundo tão repleto de opções. Não esqueçamos a lição do sapo.
A professora Marlene Salgado de Oliveira é mestre em Educação pela UFF, doutoranda em Educação pela UNED (Espanha) e membro de diversas organizações nacionais e internacionais.
E-mail: recadodaprofessora@jornalsg.com.br
|
|
|
Expediente |
Anuncie Aqui |
Trabalhe Conosco |
Twitter |
Comunidade no Orkut |
RSS |
Fale Conosco
©Copyright O SÃO GONÇALO - Todos os direitos Reservados